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Jornalistas africanas ensinam como fazer jornalismo viral e com perspectiva feminina

Mesa discute iniciativas de jornalismo da África que estimulam a checagem de fatos, a distribuição de conteúdos de qualidade e a adoção da perspectiva de gênero na cobertura jornalística

Por: Nayani Real
Edição: Giulia Afiune
Arte: Kethilyn Mieza

Se engana quem pensa que desinformação é um problema exclusivo do Brasil ou dos Estados Unidos. Foi a difusão massiva de informações falsas que levou a jornalista queniana Catherine Gicheru a fundar a primeira aliança para desmentir fake news no leste da África, em 2016. Nascia a PesaCheck.

“O motivo pelo qual eu comecei a iniciativa pela checagem de fatos é porque eu estava realmente irritada com a má informação sobre orçamento. Toda vez que jornais e políticos falam sobre dinheiro é superficialmente”, disse a jornalista. “Eu acredito que todos os nossos problemas acontecem porque os governos tendem a dar informações incompletas, de formas obscuras e difíceis de a população entender”, explica. 

Catherine participou de uma mesa chamada “O que podemos aprender com iniciativas do jornalismo na África” nesta quinta (26), terceiro dia de debates do 16º Congresso da ABRAJI, ao lado da jornalista nigeriana Hannah Ajakaiye, que também desenvolveu uma iniciativa contra a desinformação na África.

Sob o slogan “faça os fatos viralizarem”, em tradução livre, a iniciativa Facts Matter Nigeria busca transformar informação em vídeos, podcasts, gráficos e outros produtos que tenham o apelo visual que as redes sociais oferecem. A estratégia é fazer com que conteúdos informativos viralizem. “As pessoas se informam pelas redes sociais e há momentos em que a mídia fica sem credibilidade”, explica Hannah, acrescentando que a organização foi criada como uma resposta à infodemia. 

“Nós também contamos com influencers que relatam aos seus seguidores como foram afetados pela desinformação”, diz. Ao utilizar a imagem de pessoas que têm mais de um milhão de seguidores, é possível potencializar o alcance da comunicação. 

A iniciativa também busca estimular a checagem de fatos, divulgando vídeos que trazem habilidades básicas de verificação. “Nós queremos gerar consciência”, resume Hannah Ajakaiye.

Recentemente, a queniana Catherine Gicheru – que se diz uma “iniciadora” de projetos jornalísticos – também deu vida a uma iniciativa para empoderar mulheres e estimular a cobertura de temas negligenciados pela grande mídia, o Africa Women Journalism Project (AWJP). 

Para Catherine, há uma lacuna de informações sobre os impactos da pandemia sobre mulheres e crianças. “Ninguém fez a conexão: lockdown, escolas fechadas, mas o que isso significa [para as mulheres]? Precisamos ligar os pontos”, diz. Por isso o projeto, que já treinou cerca de cem jornalistas mulheres, é uma forma de garantir a cobertura de temas específicos que atingem mais esses grupos do que homens. “[As jornalistas treinadas] se animam porque vão escrever histórias que ninguém mais quer”, explica.

Além disso, a iniciativa promove a proteção da categoria contra ataques online. A jornalista conta que há discursos horríveis contra mulheres na internet, e esse cenário piorou na pandemia, por isso buscam ensinar mulheres jornalistas a se defender e se manter seguras no ambiente digital. “Temos que trabalhar juntas”, declara.

O fato de que o Brasil tem a maior população negra fora do continente africano gera empatia em Gicheru. “Se temos problemas em comum, podemos trocar informações e descobrir formas de buscar soluções”, diz a jornalista. 

A cobertura oficial do 16º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é realizada por estudantes, recém-formados e jornalistas integrantes da Redação Laboratorial do Repórter do Futuro, da OBORÉ, sob coordenação do Conselho de Orientação Profissional e do núcleo coordenador do Projeto. Conta com o apoio institucional da Abraji, do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais (IPFD) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em cooperação com a Oficina de Montevideo/Oficina Regional de Ciências para a América Latina e Caribe. 

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