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TSE cria comitê para fortalecer trabalho dos jornalistas nas Eleições 2022

Parceria vai envolver redações e agências de fact-checking para enfrentar avanço da desinformação no processo eleitoral

Por: Beatriz Cristina
Edição: Cristiane Paião
Arte: Nayani Real e Camila Araujo

Com foco nas Eleições 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou o “Programa de Enfrentamento à Desinformação”. Nos próximos meses, um comitê formado por profissionais do órgão e de agências jornalísticas de fact-checking vai enfrentar o avanço da desinformação sobre o processo eleitoral e, assim, tentar aumentar a confiança nas instituições democráticas do país.

Um desafio e tanto para os dias atuais. A ideia é estabelecer um fluxo de informações constante e dinâmico entre os veículos de comunicação, as plataformas digitais e o Poder Judiciário, com a ajuda do TSE.

As reuniões para a criação do comitê tiveram início em 2019, como uma forma de acompanhar as eleições regionais de 2020, mas só agora, em agosto deste ano, é que o comitê foi finalmente formalizado através da Portaria TSE nº 510/2021. Além de contar com a participação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, também fazem parte do grupo agências como Aos Fatos e Lupa, além das principais plataformas e redes sociais que atuam no Brasil como Google, Facebook, Instagram e WhatsApp.

Thiago Reis, coordenador do núcleo de dados, fact-checking e projetos especiais do portal G1 entende que existe uma dificuldade de planejamento justamente por causa da velocidade com que tudo acontece no meio digital. Segundo ele, até a eleição passada, por exemplo, a responsabilidade das publicações era cobrada apenas de quem postava um conteúdo, e não das plataformas que permitiam sua veiculação.

Outro aspecto apontado pelos profissionais é o fato de que, em geral, os conteúdos que precisam ser mais desmentidos são sempre os que tentam descredibilizar o processo eleitoral, mas os locais onde são feitas essas publicações e, portanto, onde devem ser feitas as checagens foram se alterando nos últimos anos.

Nas eleições de 2014, por exemplo, o trabalho de fact-checking se concentrava nos conteúdos das propagandas eleitorais e nas declarações dos candidatos ou candidatas em debates políticos. Porém, em 2018, todas as redes sociais e plataformas tinham uma enxurrada de publicações com conteúdos nocivos.

“Vêm acontecendo mudanças muito rápidas a cada eleição. É cada vez mais difícil planejar o que será ano que vem, porque o ambiente digital está extremamente dinâmico. Eu vejo que a mudança de 2018 para 2020 tem muito a ver com a questão de assumir para si uma responsabilidade e entra um debate: que responsabilidade é essa, e de que forma será feito isso?”, questiona Thiago.

Segundo ele, para 2022, é preciso amadurecer ainda mais esse pensamento porque temos projetos de lei transitando no Congresso que devem impactar no processo eleitoral. “No ano que vem, teremos uma série de desafios. Eventualmente, as grandes empresas de tecnologia já não estarão mais apenas com um só aplicativo”, destaca, chamando a atenção para o fato de outras ferramentas ainda podem ser lançadas no mercado.

A desinformação também é um problema social

Natália Leal, CEO da Agência Lupa, entende que a principal ferramenta de combate à disseminação deve ser o letramento digital da população. Ou seja, os leitores devem ser treinados através da educação midiática, da criação de um hábito de verificação dos conteúdos que recebem.

“São poucas ações institucionais, acho que o TSE vem fazendo um trabalho desde as eleições de 2020, mas são poucas ações institucionais de empresas jornalísticas mais tradicionais nesse sentido, que nada mais é do que educação midiática”, ressalta Natália.

Thiago lembra que, como metade da população brasileira não tem acesso a um bom plano de dados de internet, isso acaba prejudicando o compartilhamento de sites confiáveis, porque as páginas simplesmente não abrem em locais onde o sinal é ruim. Como consequência, a grande maioria das pessoas só consegue ter acesso às redes sociais nos rincões do Brasil, porque outros tipos de sites são muito “pesados” no jargão da internet.

Segundo ele, o acesso à informação de qualidade no país é fundamental para reforçar a confiança nas instituições democráticas. “Informação precisa sobre um ato cívico e como votar é um direito de todos. E o ambiente digital, nos últimos anos, não foi tratado como um direito”, alerta Thiago.

No Brasil, aplicativos como o Facebook e o WhatsApp praticam o zero rating, uma modalidade onde as plataformas “pagam” os dados móveis quando estão sendo utilizadas pelos usuários.

“O que acontece é que muitas pessoas recebem um link no WhatsApp mas não conseguem acessar. Então, se a Lupa faz uma checagem ou o TSE emite uma nota oficial sobre alguma coisa, a desinformação está acontecendo nesse ambiente, mas a gente divulga uma checagem, ninguém consegue clicar”, explica o coordenador da área no TSE.

A cobertura oficial do 16º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é realizada por estudantes, recém-formados e jornalistas integrantes da Redação Laboratorial do Repórter do Futuro, da OBORÉ, sob coordenação do Conselho de Orientação Profissional e do núcleo coordenador do Projeto. Conta com o apoio institucional da Abraji, do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais (IPFD) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em cooperação com a Oficina de Montevideo/Oficina Regional de Ciências para a América Latina e Caribe. 

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